Cada beijo errado
os corvos mordem um pedaço do fígado
e a poeira baixando
enevoa o casarão
Bêbados, embebidos e desguarnecidos
de surras do não
Jovens trombetas
O dizer alto
e as palavras que do alto caem insossas
de beleza passada
o corpo que se espalha
no chão cinza
na espera de migalhas
na espera...
...
o vinho
cospe o vermelho sôfrego
e pelo fio se faz despejar
calmamente
os cavalos pulsam
no ventre da mulher,
enxofre
e o que resta do rio
de gozo vil
pulsa o barulho do gozo (o vício tinge tudo)
as dores do desejo (o desgosto)
as dores (desassossego)
e vem o vício tingindo tudo
o desassossego
