quinta-feira, 25 de setembro de 2008

a chuva

E as coisas de meu deus?
as crianças de nossa rua que não mais sorriem...
me dá um abraco e só um abraço
caído sobre meus joelhos e as costas ardidas
todo pecado se foi e agora dói mais

e os tempos,
as dores,
as curras e as curas

cadê você minha irmã
minha moça
cheiro doce de maçã

não há perdão para quem não peca
não há para quem não peça

a chuva tardia em minha janela
para lavar a poeira e o gosto ruim da ausência
dois dias de dor
dois anos de amor
duas ou mais faces

eu sigo o vermelho
sigo, sigo , sigo
sem parar pra não pensar,
sem olhar pra não enxergar,
sem querer pra não sentir...

a vida dos ventos altos

Que venha o veneno em pequenas doses
e das alturas a loucura aos poucos
dos cheiros e sabores as lembranças
pedaços de janelas altas e olhares ao céu
amores e dores a vista

da noite a ausência,
o fim da noite a espera

outras noites
outras cores
outros doces

e só a escrita cura meu vício
o sabor dos cabelos,
formas estranhas e gostos mil

a chance da conquista
da reconquista
talvez só a chance
talvez só o nada

e do deserto uma flor
e a água de meninos brincarem
bocas para tocarem
beijos pra flertarem

sem querer ausências,
defesas,
entregas e tão somente elas interessam
só elas realmente importam

um momento,
a única verdade talvez seja o momento
de resto apenas fantasias nos atormentam
e tiram o sabor verdadeiro das coisas

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

por uma doce letra

O espelho com o oposto do mesmo
o choro desce quente por causa das chaves
o que não é compreendido por não ser exposto
a espera de um afago, de um abraço
e a dureza de palavras
de intelectualismo
de frustração

os vôos do amor e a dor
nas pisadas pequenas de passos tímidos
o homem de mãos e olhos grandes
nas orgias de sentimentos
e a mãe triste que espera numa cadeira,
sempre a mesma espera,
longa e solitária...

os alados e os homens flutuam
na pouca luz de tristes canções e o gosto, o tempo, o toque
a ânsia
o vermelho da repulsa e todas as cores de um gozo vil

os esguios de exemplo
da família casta
de insosso ventre

que se faça a guerra
das facas pueris e do sangue os barris
os tonéis
talvez
os cordéis
e todos os sabores coloridos
doídos e puídos
de uma doce letra



quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Hoje eu quero o silêncio

Hoje eu vou fazer silêncio
hoje eu quero apenas um silêncio
e nada mais nos braços
só um silêncio de olhos e ventres calados

e se pudéssemos ter a velocidade...
e deitássemos nas redes de nosso gozo...

travessos de silêncios e risos ao léu
haverá paraíso, paradeiro
juízos e arrepios
dos cavalos marrons o viço
e o jeito do vício
a fúria do pífio
e a dor dos poros

das flores amores e outras brincadeiras de rimas mil
a única certeza de um flerte intuído
seja como for, que seja azul

das trovas o doce
do sangue, vermelho

sem nada
sem gosto
sem saliva

e as verdades e mentiras brincando de não serem elas por elas e por nós
nunca mais
mais na pele

mais dele, dela
mais de nós
e os sabores de nós mesmos
os dissabores de nós mesmos

tempo que tem tempo sem fim
caminhando nas linhas
do tempo