Hoje eu vou fazer silêncio
hoje eu quero apenas um silêncio
e nada mais nos braços
só um silêncio de olhos e ventres calados
e se pudéssemos ter a velocidade...
e deitássemos nas redes de nosso gozo...
travessos de silêncios e risos ao léu
haverá paraíso, paradeiro
juízos e arrepios
dos cavalos marrons o viço
e o jeito do vício
a fúria do pífio
e a dor dos poros
das flores amores e outras brincadeiras de rimas mil
a única certeza de um flerte intuído
seja como for, que seja azul
das trovas o doce
do sangue, vermelho
sem nada
sem gosto
sem saliva
e as verdades e mentiras brincando de não serem elas por elas e por nós
nunca mais
mais na pele
mais dele, dela
mais de nós
e os sabores de nós mesmos
os dissabores de nós mesmos
tempo que tem tempo sem fim
caminhando nas linhas
do tempo
