quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

chuva de letras

Textos me vêm como a chuva
Textos me pesam
E só quero tirar a roupa molhada da obscenidade das palavras


Assim a loucura de meus amigos escorre pelos dedos


E o casamento entre pessoas pode?


Eu quis te conhecer
E você nem me deu um olhar sequer


Te chamei pra dançar e você disse não
Negar duas vezes a mesma pessoa dá muito azar

Cem anos de solidão
Sem anos
Sem planos


E essa voz sussurra doce lambendo as paredes vermelhas de minha sala
e minha sombra lá


Você nem sequer existe
Você existe e me olha, esnoba, canta e vai embora


Será que hoje vai chover?
Peça aos santos que não


Nos sonhos todas as dores
E os números são só para brincar com a escrita


Brincar na tempestade...


Entrega de um doce torpor
correndo pernas abaixo
Mar adentro


Pelo amarelo das costas dela
quem pode tocar o amarelo vil?


Onde a morte vem aos poucos e o sorriso se instala aos poucos


Ouço um violino brincar de tocar sua dor


toca,
suga,
impressiona


E os dedos marcados nas costas


Os dedos,
as dores,
as lembranças,
as esperanças...


assim são as doçuras
assim são as agruras
não pretensas,
duras