Textos me vêm como a chuva
Textos me pesam
E só quero tirar a roupa molhada da obscenidade das palavras
Assim a loucura de meus amigos escorre pelos dedos
E o casamento entre pessoas pode?
Eu quis te conhecer
E você nem me deu um olhar sequer
Te chamei pra dançar e você disse não
Negar duas vezes a mesma pessoa dá muito azar
Cem anos de solidão
Sem anos
Sem planos
E essa voz sussurra doce lambendo as paredes vermelhas de minha sala
e minha sombra lá
Você nem sequer existe
Você existe e me olha, esnoba, canta e vai embora
Será que hoje vai chover?
Peça aos santos que não
Nos sonhos todas as dores
E os números são só para brincar com a escrita
Brincar na tempestade...
Entrega de um doce torpor
correndo pernas abaixo
Mar adentro
Pelo amarelo das costas dela
quem pode tocar o amarelo vil?
Onde a morte vem aos poucos e o sorriso se instala aos poucos
Ouço um violino brincar de tocar sua dor
toca,
suga,
impressiona
E os dedos marcados nas costas
Os dedos,
as dores,
as lembranças,
as esperanças...
assim são as doçuras
assim são as agruras
não pretensas,
duras
