Humano
Em demasia humano
Com os dentes cerrados caminho
jogando pensamentos e desilusões na roda de angústias
já que lá moram os espinhos
As dores purgam e contorcem os nervos
As dores sangram
Os homens regurgitam desejos nas bocas lascivas noturnas
dançam e brincam com paixões
Ao lado da porta sentada a esperança
querendo ficar
O excesso de páginas em branco angustia
onde nada mais se arranca das letras senão as dores
as culpas
os vícios
as voltas e revoltas
Angústia é o que mancha o resto das páginas
e talvez mais uma porção de palavras
angústia, angústia, angústia
Jogo com as palavras
onde uma porção de letras vêm
carregadas do vazio
destrutivo e convicto
Mares e marés
de deuses os altares
de todos os olhares
do sabor os calcanhares
esquartejado
embriagado
doido recorrente
A loucura lambe com fúria pés acima
e chupa teu sossego
Fecha os olhos
Fecha os olhos e não me olhe com desejo
Não me mostre o desejo que não é meu
esse desejo não é meu
esse desejo que sabe-se lá
esse desejo de si mesma
Um dia que me disse:
sinto falta de mim
sinto falta de mais de mim
nem sei
Não consigo mais
só há a necessidade de tirar a angústia das páginas em branco
de tirar o amarelo suave que permeia o branco tímido, quieto e angustiado dessas páginas
de tirar nem sei o que mais
nem sei
nem sei o tom buscado
nem sei
As noites em claro sabe-se lá por quê
sabe-se lá
noites em claro
noites em claro branco
O branco das páginas é o que me resta
