terça-feira, 14 de abril de 2009

...

a lucidez faz com que acreditemos em nossas asas diante do precipício

sábado, 11 de abril de 2009

o tempo e eu

o tempo que começa e se encerra em si

eu nasço e morro em mim e em qualquer outra coisa que eu queira

eu e o tempo somos atemporais e impessoais

nunca e sempre

indo e voltando

para o lugar do lugar nenhum

para o tempo onde o tempo não existe

onde eu não exista

onde seja tudo somente uma ilusão-realidade qualquer

eu sou o tempo que não existe

o tempo sou eu quando ele quer

quinta-feira, 9 de abril de 2009

A repórter pergunta pra mãe qual a importância de o filho dela ler. Resposta:

- Fica mais fácil saber o ônibus que precisa tomar, facilita a vida.

Viva as diversas formas de inteligência.

terça-feira, 31 de março de 2009

formas diferentes de pensar

mãe: você pensa muito grande meu filho
filho: vocês juntavam dinheiro e compravam bens, eu não junto dinheiro e compro meus sonhos...

quarta-feira, 25 de março de 2009

e a vida continua...

mais uma noite sem dormir

terça-feira, 17 de março de 2009

reflexões

não pode haver sentido numa coisa que começa e termina independentemente de nossa vontade como a vida

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

chuva de letras

Textos me vêm como a chuva
Textos me pesam
E só quero tirar a roupa molhada da obscenidade das palavras


Assim a loucura de meus amigos escorre pelos dedos


E o casamento entre pessoas pode?


Eu quis te conhecer
E você nem me deu um olhar sequer


Te chamei pra dançar e você disse não
Negar duas vezes a mesma pessoa dá muito azar

Cem anos de solidão
Sem anos
Sem planos


E essa voz sussurra doce lambendo as paredes vermelhas de minha sala
e minha sombra lá


Você nem sequer existe
Você existe e me olha, esnoba, canta e vai embora


Será que hoje vai chover?
Peça aos santos que não


Nos sonhos todas as dores
E os números são só para brincar com a escrita


Brincar na tempestade...


Entrega de um doce torpor
correndo pernas abaixo
Mar adentro


Pelo amarelo das costas dela
quem pode tocar o amarelo vil?


Onde a morte vem aos poucos e o sorriso se instala aos poucos


Ouço um violino brincar de tocar sua dor


toca,
suga,
impressiona


E os dedos marcados nas costas


Os dedos,
as dores,
as lembranças,
as esperanças...


assim são as doçuras
assim são as agruras
não pretensas,
duras

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

...

Humano
Em demasia humano
Com os dentes cerrados caminho
jogando pensamentos e desilusões na roda de angústias
já que lá moram os espinhos
As dores purgam e contorcem os nervos
As dores sangram

Os homens regurgitam desejos nas bocas lascivas noturnas
dançam e brincam com paixões

Ao lado da porta sentada a esperança
querendo ficar

O excesso de páginas em branco angustia
onde nada mais se arranca das letras senão as dores

as culpas
os vícios
as voltas e revoltas

Angústia é o que mancha o resto das páginas
e talvez mais uma porção de palavras

angústia, angústia, angústia

Jogo com as palavras
onde uma porção de letras vêm
carregadas do vazio
destrutivo e convicto

Mares e marés
de deuses os altares
de todos os olhares
do sabor os calcanhares

esquartejado
embriagado
doido recorrente

A loucura lambe com fúria pés acima
e chupa teu sossego

Fecha os olhos
Fecha os olhos e não me olhe com desejo
Não me mostre o desejo que não é meu
esse desejo não é meu
esse desejo que sabe-se lá
esse desejo de si mesma

Um dia que me disse:
sinto falta de mim
sinto falta de mais de mim

nem sei

Não consigo mais
só há a necessidade de tirar a angústia das páginas em branco
de tirar o amarelo suave que permeia o branco tímido, quieto e angustiado dessas páginas
de tirar nem sei o que mais

nem sei

nem sei o tom buscado

nem sei

As noites em claro sabe-se lá por quê
sabe-se lá
noites em claro
noites em claro branco

O branco das páginas é o que me resta

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

a chuva

E as coisas de meu deus?
as crianças de nossa rua que não mais sorriem...
me dá um abraco e só um abraço
caído sobre meus joelhos e as costas ardidas
todo pecado se foi e agora dói mais

e os tempos,
as dores,
as curras e as curas

cadê você minha irmã
minha moça
cheiro doce de maçã

não há perdão para quem não peca
não há para quem não peça

a chuva tardia em minha janela
para lavar a poeira e o gosto ruim da ausência
dois dias de dor
dois anos de amor
duas ou mais faces

eu sigo o vermelho
sigo, sigo , sigo
sem parar pra não pensar,
sem olhar pra não enxergar,
sem querer pra não sentir...

a vida dos ventos altos

Que venha o veneno em pequenas doses
e das alturas a loucura aos poucos
dos cheiros e sabores as lembranças
pedaços de janelas altas e olhares ao céu
amores e dores a vista

da noite a ausência,
o fim da noite a espera

outras noites
outras cores
outros doces

e só a escrita cura meu vício
o sabor dos cabelos,
formas estranhas e gostos mil

a chance da conquista
da reconquista
talvez só a chance
talvez só o nada

e do deserto uma flor
e a água de meninos brincarem
bocas para tocarem
beijos pra flertarem

sem querer ausências,
defesas,
entregas e tão somente elas interessam
só elas realmente importam

um momento,
a única verdade talvez seja o momento
de resto apenas fantasias nos atormentam
e tiram o sabor verdadeiro das coisas