terça-feira, 26 de agosto de 2008

Talvez

Talvez tenha feito da minha vida mundo
Do meu mundo vida
Fosse melhor um despedir mudo
Que a lágrima da partida
Talvez quisesse da casinha o fundo
E lá descansasse da lida
De chão batido imundo
Pra ter minha solidão acolhida
Talvez me sentisse só
Só de solidão sofrida
Feito da minha vida pó
Do pó que é feita a vida
Talvez fizesse do canto meu cafundó
De forma desenxabida
E não desatasse o nó
O nó de uma garganta doída
Talvez seja o reverso do nascimento
A gota de sangue escorrida
O choro alto do rebento
Uma vida interrompida
Talvez seja o homem sedento
A terra prometida
A mão do avarento
Pela dor esculpida
Talvez seja só um ingrato
Filho de uma ferida
Ingênuo de fato
Tristeza escondida
Talvez fino de trato
Chama encolhida
Um nobre nato
Ou um erro na vida