terça-feira, 26 de agosto de 2008

Um dia difícil...

Nem gozar posso mais? Não posso gemer? Não podemos gemer?...Ninguém geme alto nessa terra? É só silencio. Um silencio inócuo e estéril, esterilidade frutífera de gente plastificada, cheia de estética, melindres e não-me-toques. O physique du role disparatado de terra seca, do racionalismo, do pseudo-amor intelectualizado. Todos atrás de ares descolados, de uma suposta geração IN. O ser humano é muito louco. Outro dia vi uma roda de cinco, seis pessoas, com seus Ipods e vestimentas pós-modernosas na porta da faculdade, simplesmente para fumar um baseado...risos. Tão modernos e repetidos. A modernidade que te faz enraizar e ao mesmo tempo se esvair como uma árvore doente ao toque do primeiro vento mais forte. Loucura total!!! Quanta tribo na modernidade, tribos high-tech. O homem querendo se humanizar, querendo se sentir próximo de outrem, se utilizando de subterfúgios rasos, porém tão ou mais só que antes. Relações rasas, sem alma. A mulher cristã até virou os olhos para não ver, mas deixou o nariz alerta para se sentir um pouco índia também. Um ato ritualístico milenar em meio a outro ritual muito conhecido hoje em dia: “A Antropofagia da Essência Humana”. Um menino, um cara, passa correndo escadaria acima na maior disposição atlética, com seu copo de cerveja sem derramar sequer um gole para os insetos e entorpecê-los da indignidade humana. Coitados dos insetos, olham pasmos para toda aquela correria, gritaria, todos enlouquecidos falando ao mesmo tempo, barulho, barulho, barulho, muito barulhooooo...Buuummmmm!!! Muito mais pontos de exclamação!!!!!!!!!!!! Depois da explosão o silêncio. Voltamos a falar do silêncio. O estéril. Tente escutar o silêncio. O silêncio ensurdecedor de Hiroshima. O silêncio que faz o homem lidar com a sua “autossuportabilidade”, se é que existe essa palavra, ou não. Qual seria o grito que surgiria do rim, do fígado, das entranhas, de qualquer porra, no caso da segunda hipótese. Não respiro. Aliás não expiro. Sento-me ali com as formigas que observam a decadência humana e comemoram, pois serão a nova espécie dominante. Afinal, elas têm uma vida de trabalho muito mais árdua de que a nossa. Não é isso que prega nossa vã-filosofia? Quero prender aquele momento inteiro dentro de mim. Cristalizar a lama, o caos, luzes, fotografias recortadas de cores insossas, sem vida. E os sorrisos? Quantos sorrisos clamando por outro?! O sorriso que disfarça o nó da garganta da menina rejeitada, e regurgita um amarelo, monolítico, dessa vez vibrante e que perdura. A menina que não é ela, não é só ela, e sim todas elas. E eles. E nós. E as formigas festejam e se embriagam no seu dia de folga, apenas observam, talvez sem saber, o futuro delas. Quero voltar a ser índio!!!